15/08/2008

Lembranças

O pássaro da solidão me trouxe a reflexão. Fez-me mexer na caixinha das minhas lembranças. Me dei conta de como a solidão se tornou minha amiga. Me fez recordar. Lembrei da minha infância, de quando tudo era mais colorido e belo. Quando papai chegava do trabalho com aquele cheiro que era só seu, cheiro que me traz o retorno da ausência; quando ele me colocava em seu colo e me chamava de sua princesa. Lembrei das brincadeiras, das bonecas, dos momentos; Recordei do gostinho do bolo de chocolate da minha mãe, de minha avó com seus lindos cabelos brancos me ensinando a orar. E como não lembrar dos meus irmãos me arrumando para ir à escola e fazendo do ato de pentear os meus cabelos “O Mundo de Sofia”! Naquele tempo as pessoas eram diferentes. Mas tudo não passa de lembranças, lembranças que estão guardadas em um lugar onde as coisas se tornam eternas. O tempo passa, a vida caminha em longos passos ao desconhecido. Amadureço, logo envelheço, e os momentos únicos da minha infância são projeções do que fui e o reflexo do que me tornei. Ainda não sei o que me tornei, vou pensar sobre isso. A chuva esta vindo, e junto com ela vem ventos de esperança; o céu esta cinza, mas é um cinza colorido de memórias. Vou retornar a minha solidão, mas não estou só. Paradoxo? Não... Apenas são.

14/08/2008

Solidão

Um pássaro pousou no meu jardim, o pássaro da solidão. Ele me fez refletir sobre o que acontece realmente quando estou só (tenho um encontro com o meu eu). Sinto-me triste, mas minha tristeza não vem da solidão vem sim dos pensamentos que surgem. Percebo que a solidão tem sua beleza, como diria Rubem “não a beleza de uma sinfonia que para ser bela precisa ser tocada ate o final”, mas sim a beleza da ausência, do encontro com o que não se vê mas se sente. Sinto, sinto saudade do retorno da ausência, de algo que ficou na lembrança, como uma fotografia, um momento congelado na memória. Sendo assim considero a solidão minha amiga (me faz recordar). Ah! Lembrei-me de Nietzsche que tinha a solidão como companheira. Sozinho, ele tirava alegria de longas caminhadas nas montanhas, ouvia música e lia os livros que amava. Percebo então três companheiras na solidão, logo não estou só. Saudade, ausência, retorno, não sei... apenas me permito sentir saudade, perceber a ausência e retornar ao que passou. Fico eu aqui com minha solidão, esperando o pássaro ir embora. E se ele for? Não sei se quero que ele se vá.